A pesca de lambari

A pesca de lambari

A pesca de lambari

O lambari, que apesar de ser considerado o peixe básico da cadeia alimentar, é um predador muito voraz, capaz de destruir ninhos de ovos ou cardumes de alevinos de outras espécies em questão de segundos. A esperteza do lambari faz com que seja considerado um peixe esportivo, sendo muitas vezes o primeiro peixe fisgado pela maioria dos brasileiros que começam a praticar esse esporte.

Existem centenas de espécies com esse nome comum. Só no gênero Astyanax, já foram descritas mais de 86 espécies. As espécies mais comuns de lambari são os Lambari-do-rabo-amarelo (Astyanax Bimaculatus) que tem o maior porte chegando a atingir 20 centímetros e 100 gramas, os lambari-do–rabo-vermelho (Astyanax fasciatus) e o Tambiú (Astyanax altiparanae). O tamanho médio deles fica entre 5 a 12 cm, dependendo da espécie e local. São onívoros e se alimentam de insetos em diversas fases de desenvolvimento, como ninfas, larvas, pupas e adultos. Também se alimentam de detritos, pequenas sementes, plantas superiores, zooplâncton, escamas e outros resíduos encontrados na água. Porém são mais notórios pela sua voracidade ao se alimentarem de ovas de peixes, insetos e também de alevinos de peixes. Muito apreciado como isca para pescadores e como caça para outras espécies, sendo a base alimentar de muitos peixes predadores, como tucunarés e dourados.

Pescar lambari não tem muitos segredos porém exige atenção, o peixe é muito rápido e pode levar a isca sem que o pescador perceba. Primeiramente é necessário que se conheça o lugar da pescaria, para isso é fundamental testar o local para saber se existem enroscos.

A única forma de se fazer isso é perdendo anzóis e linhas até se estabelecer o local apropriado.

Rios

Para pescar em rios é preciso cevar com quirera (milho moído). Por conta da correnteza aconselha-se cevar um pouco acima de onde se está pescando.

Represas

Para pescar em represas, ou onde a água é parada também é preciso cevar pequenas quantidades e jogá-las próximo ao flutuador. Além disso é necessário provocar o peixe dando pequenos toques e fazendo o flutuador se movimentar.

Outro inconveniente é quando o vento está forte dificultando o lançamento da linha no local desejado. Uma dica é substituir o flutuador por outro maior e acrescentar um chumbo mais pesado, compatível com o mesmo, de forma que quando o anzol atingir a profundidade escolhida é possível notar a beliscada nitidamente.

A condição ideal para a pesca é quando existe uma “pequena” brisa, fazendo com que a água fique “arrepiada”. Foi observado que isto garante muita ação por parte dos lambaris.

Varas

As telescópicas lisas são as preferidas, pois facilitam o transporte, são mais fáceis de guardar e cada um pode escolher a vara com ação e peso de sua preferência.

No inverno recomenda-se varas telescópicas de carbono, de 5 a 6 metros, pois os peixes se encontram na parte mais funda do pesqueiro, além disso ficam manhosos, porém quando atacam a isca os exemplares são de bom tamanho.

No verão, as varas podem ser mais curtas, de até 3 metros ou um pouco maiores, pois nessa época os lambaris ficam ativos e tendem a se encostar mais próximos aos barrancos.

O comprimento da vara pode variar de acordo com o local da pescaria. Para a pesca de barranco, é importante observar se no local as árvores existentes não irão atrapalhar o arremesso.

Linhas

A linha a ser usada é de suma importância, então as mais finas dão melhor resultado, mas tome cuidado pois essa linhas podem ser facilmente arrebentadas em caso de enroscos ou se outro peixe atacar a isca. Recomendamos linhas monofilamento de 0,14mm ou 0,16mm. O comprimento da linha deve ser 40 cm a 1m maior que o da vara.

Anzóis

Pode ser utilizado os tradicionais mosquitinhos, cuja numeração pode variar de acordo com o fabricante. O pequeno anzol tem que ser bem fino e cada pescador pode, de acordo com sua prática ou preferência, colocar mais de um na sua linha. A quantidade pode ajudar a pegar mais de um exemplar, mas prejudica a reposição das iscas. Existem ocasiões em que apenas um anzol pode garantir uma produtividade maior que muitos anzóis.

Iscas

Onívoros e vorazes, os lambaris comem de tudo desde insetos, larvas, ovas, frutos e até os peixinhos menores que eles. Portanto, as iscas podem ser variadas, e até alimentos que eles não estão acostumados a encontrar na natureza surtem resultados.

Existe uma grande variedade de iscas que podem surtir resultado indo desde o sagú, macarrãozinho, bicho do pão ou da laranja, larvas de moscas caseiras, ovo de formiga, milho verde novinho, minhoca comum (pedaços) ou califórnia. Não há necessidade levar todas estas iscas mas é sempre bom ter pelo menos três opções.

Iscas Artificiais

Para iscas artificiais deve-se utilizar um equipamento de ação ultraleve, composto por uma vara para linhas de 4 a 8 Lbs e um molinete compatível. As iscas mais cotadas entre esses peixes são as varejeiras e spinners, muito pequenos e leves, que exigem o auxílio de uma bóia de arremesso de até 9 gramas. Arremesse a bóia de modo que ao ser recolhida continuamente faça com que a isca passe perto de onde os Lambaris estão concentrados. Aconselha-se frear a carretilha um pouco antes da bóia tocar a água fazendo com que a isca se projete atrás da bóia, assim dificilmente a isca se embolará com a bóia de arremesso. O recolhimento da linha deve ser lento, alternando de vez em quando. Esse tipo de pecaria é mais eficaz se for embarcada e durante o verão, onde os peixes sobem para a flor d’água em busca de alimentos trazidos pela correnteza.

Miçangas

A Miçanga é uma isca muito produtiva para enganar o lambari. Pode ser utilizada tanto no caniço caipira quanto no molinete, trazendo ótimos resultados. A maior vantagem da miçanga é que desta forma você não precisa ficar iscando o anzol após cada ataque dos peixes, pois trata-se de material duro e que dificilmente sai do anzol. Pode se utilizar um chicote de 80cm com 3 ou 4 miçangas e com um chumbo na ponta da linha. Para introduzir a miçanga no anzol pode-se aquecer um pouco o anzol para endireitá-lo, facilitando a colocação da miçanga e, logo após, curvá-lo novamente.

Ao pescar com miçanga solte a linha deixando ela tocar o fundo e, de tempo em tempo, de alguns pequenos toques e recolha um pouco de linha para dar movimento à isca e atrair os peixinhos. Desta forma é comum, ao recolher-se a linha, ter capturado um lambarí em cada anzol.

Flutuadores

O uso do flutuador é essencial nesta pescaria, tanto para identifi car a sutileza da beliscada do lambari quanto para controlar a altura do anzol em relação à superfície. Há muita variedade, desde “boinhas” de isopor de até uns 2cm, boinhas tipo palito (vários modelos) e as tradicionais peninhas de madeira, recomendadas para dias com vento. O tamanho da pena ou boia tambem influi, principalmente de acordo com as condições do tempo (vento), o ideal é que sejam as mais leves possíveis. Para encontrar a profundidade ideal é preciso regular o flutuador, não esquecendo do peso correto do chumbo, para que isto aconteça.

Chumbadas

O tamanho e peso deve ser proporcional ao que exigir o flutuador.

Fly

A pesca de fl y também se mostra muito produtiva, pois o lambari não dispensa as iscas imitando pequenos insetos. Para isso é importante uma vara leve de #1
a #3 com linha fl oating. A técnica reside em lançar a isca e deixá-la flutuar na água com se fosse um inseto que caiu no rio.

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