CORRICO NO MAR – Saiba como tornar mais eficiente esta pescaria!

O corrico é uma das modalidades mais praticadas por pescadores esportivos, seja em alto mar ou próxima da costa. É a chamada pesca horizontal.

Tal prática se resume essencialmente em rebocar, na popa barco, iscas naturais ou artificiais que atraem os predadores marinhos encontrados próximos da superfície, como cavalas, atuns, barracudas, xaréus, sororocas, dourados, sailfishs e muitos outros.

Normalmente, nas embarcações com tamanho de até 26 pés, é possível corricar com no máximo seis (06) linhas na água, sendo que de duas (02) a quatro (04) é um número adequado ao pescador iniciante, para evitar o enrosco. Há pescadores, contudo, mais experientes e muito técnicos, que chegam a corricar com 10 linhas na água, mas esse fato é uma exceção, praticada, como dito, pelos profundos conhecedores do assunto e mais versados nessa modalidade de pesca.

Para tanto, utilizam-se carretilhas, de preferência sem guias de linha (devanadores) para diminuir o atrito, com capacidade para no mínimo 300 metros de linha 0,50mm (40 a 80 lbs), seja de multifilamento ou de monofilamento, o que é por demais suficiente para a captura da maioria dos peixes de nosso litoral brasileiro, com pesos máximos de 30 kgs e uma média de 3 a 10 kgs, à exceção dos grandes marlins, albacoras de laje e alguns outros que exigem material mais robusto e técnica específica.

O ajuste correto do freio da carretilha (fricção) é de suma importância para evitar que o peixe se solte ainda quando da ferrada na isca. Uma fricção frouxa ou apertada demais vai fazer com que as garatéias não se fixem na boca do peixe ou se abram, respectivamente, ou mesmo estourem a linha, como vários são os relatos de pescadores nesse sentido.

Muitos falam que se deve ajustar o  freio da carretilha no valor de 1/4 da resistência da linha, ou seja, se esta for de 20 kgs o freio deverá ter resistência de 5 kgs o que pode ser aferido com uma balança de mão. Mas convenhamos, durante a pescaria muitas vezes desregulamos o freio por acidente e realizar esse procedimento com uma balança para novamente ajustar a fricção, no vai e vem do barco em  mar aberto, não é tarefa fácil. Portanto, esse ajuste, com o passar do tempo e ganho de experiência, será feito pela própria sensibilidade manual do pescador, puxando-se a linha com a mão e sentindo se a resistência do freio da carretilha está adequada à resistência de todo o conjunto (linha, garatéias).

Um safa varas, cordinha usada para prender o equipamento ao barco, é bastante útil e evita a perda de vara e carretilha no caso de eventual acidente que provoque a queda do conjunto de pesca na água.

Os outriggers, mecanismos apropriados para afastar as linhas da embarcação, usados em lanchas de maior porte, nos barcos menores podem ser facilmente substituídos por suportes de varas com inclinação para fora da borda, em forma de “T” e com ângulo de 45º, os quais também ajudam a espalhar as linhas, distanciando-as umas das outras.

Atualmente as linhas de multifilamento, assim como na pesca vertical, são usadas com excelentes resultados também na modalidade de corrico, principalmente por serem mais resistentes que o nylon (de mesmo diâmetro) e por não terem nenhuma elasticidade, o que aumenta a possibilidade de “ferradas” mais precisas.

Também, para melhor eficácia no corrico, se faz necessária a colocação de um leader de monofilamento de fluocarbono ou mesmo de nylon, de 6 a 10 metros, para camuflar a coloração da linha de multifilamento e diminuir a vibração causada por esta linha, que afasta os peixes da isca. Para águas mais turvas, próximas da costa, bastam 6 metros de leader, porém se for corricar em águas azuis, oceânicas e bem mais claras, recomenda-se 10 metros de leader.

As iscas mais modernas que imitam peixes, como os plugs (peixes artificiais) feitas de plástico ABS, tendem a substituir as iscas naturais, assim como as lulas artificiais também são utilizadas no corrico, ambas com muita eficiência. As iscas de corrico podem ser de superfície, de meia água e de profundidade.

Para melhor performance recomendamos o uso de iscas novas e bem acabadas, com recursos holográficos e brilhantes, as quais são bem mais atrativas aos olhos dos peixes do que as iscas usadas, com as cores já envelhecidas.

No mercado brasileiro encontramos ótimas iscas da Rapala, da Sumax, da Deconto, da Mustad e de outras marcas. Como exemplo, temos as ralapas X-rap 30 e as Sumax River king, ambas de profundidade e muito produtivas no corrico.

O uso de empate de aço deve ser evitado, sendo apenas necessário no caso de haver bastante peixe de “corte”, como cavalas, sororocas, barracudas e, ainda assim, deve-se colocar o empate na isca de no máximo 15/20 cm. Se for corricar com 4 linhas, deixe duas delas sem empate de aço, pois assim aumentará as chances de ataques e reduzirá as perdas de material.

Também é de suma importância a utilização de linhas, leader e principal, as mais finas possível, desde que adequadas ao conjunto (carretilha-varas) e aos peixes da região. Para dar exemplo, em nosso caso aqui na costa da Paraíba, onde no corrico encontramos peixes de até 30 kgs, usamos linhas de multifilamento de bitola 0,36 a 0,42mm e leader de fluocarbono de 0,60 a 0,70mm, com resistência de 30 a 60 libras. Leaders de bitola fina e de fluocarbono contribuem consideravelmente para aumentar os ataques dos peixes, eis que se tornam quase invisíveis na água e deixam o nado das iscas mais realista, facilitando o trabalho delas na água.

Para prender a isca artificial (plugs/peixes) ao leader não é necessário o uso de destorcedores, mas apenas uma peça chamada de “snap” que nada mais é do que uma espécie de grampo de aço inox. Usamos em nossas pescarias os snaps da “Iron Snap” que podem ser encontrados em diversos tamanhos, sendo que usamos os menores, mas bastante resistentes, reforçados e muito bem acabados. Estes produtos podem ser encontrados nas melhores lojas de pesca do Brasil.

Varas para corrico normalmente têm tamanhos que variam entre 1,60m a 1,80m, sendo recomendável as que têm passadores de roldanas, ao menos o primeiro da ponta da vara e o último. A resistência delas deve estar entre 40 e 80 libras.

A disposição, a distância, a configuração das linhas na água e o tipo de iscas são fundamentais para o melhor desempenho dessa pescaria. Como exemplo, vamos imaginar o corrico com 04 linhas.

Nesse caso, deve-se necessariamente colocar na água, em sequência, primeiramente as linhas das laterais do barco, que ficarão mais distantes que as outras duas, em torno de 40 a 60 metros da popa, e serão montadas com as iscas de meia água ou de superfície (lulas).

As duas varas do meio da embarcação deverão estar montadas com iscas de profundidade e ficarão mais perto, numa distância de 20 a 30 metros da popa do barco.

A configuração acima demonstrada é por demais importante, eis que evita o enrosco das linhas e consequente perda de tempo durante a pescaria para desvencilhar os nós. Assim, recomenda-se que apenas um pescador seja responsável por colocar as iscas na água e na sequencia indicada, ou seja, primeiro as linhas laterais mais distantes do barco e, depois, as linhas da popa que ficarão mais perto e trabalharão as iscas de maior profundidade.

Na hora de recolher as linhas, também é fundamental que se observe a ordem inversa, com exceção da(s) vara(s) com peixe fisgado que têm prioridade. Primeiramente se recolhem as linhas mais próximas do barco e depois as mais distantes. Nessa ocasião, a participação dos demais pescadores é importante para retirar da água as linhas sem peixe e “limpar a área” o mais rápido possível para que o pescador (ou pescadores) que estiver(em) com peixe na linha possa(m) “trabalhar” com liberdade e brigar com o seu troféu.

Ainda, com vista a evitar o enrosco das linhas, além do uso adequado das iscas e da ordem correta de soltura, as curvas feitas pela embarcação devem ser abertas o suficiente para que as linhas atrás da popa não passem por cima das outras, portanto não se deve dar a volta no barco em ângulo muito fechado.

Embora os peixes sejam ativos durante todo o dia, os melhores e mais produtivos horários para corricar vão das 5 hs às 10 hs da manhã e das 2 hs às 5:30 hs da tarde.

A velocidade de corrico, a depender das condições de mar e de navegação, pode variar de 8 a 15 km/h, sendo que 12km/h é uma velocidade média bastante adequada para a maioria dos peixes de corrico.

Outra dica muito importante que serve para garantir a produtividade da pescaria de corrico e assegurar, firmar, a ferrada do peixe, diz respeito ao momento de parar o barco ao “bater” peixe na linha. Nesse aspecto, deverá o comandante da embarcação, quando perceber tocar o alarme de uma das carretilhas, continuar na mesma velocidade ou até acelerar um pouco por alguns segundos, para confirmar a ferrada do peixe, bem como para permitir que outros peixes do cardume ataquem as demais iscas ainda em movimento.

Essa modalidade de pescaria pode ser praticada próxima da costa até a beirada da plataforma continental. Em qualquer dos casos, seja na costa ou em águas oceânicas, os cardumes são mais frequentes quando próximos dos parcéis ou de outras estruturas no fundo do mar, em ilhas e até objetos flutuantes que são encontrados na superfície, como galhos, troncos plataformas de petróleo e outros, ou seja, os peixes estão onde há estruturas para lhes dar amparo.

Por isso que a pesca de corrico em mar aberto, além do talude continental, se torna improdutiva sendo mais raros os ataques, excetuando-se eventuais cardumes de dourados, atuns e outros que nadam a ermo, em águas oceânicas, porém mais difíceis de encontrar na imensidão azul.

Uma técnica que aumenta a produtividade da pesca de corrico é a de marcar no GPS todos os pontos em que houver ataques nas iscas. Monta-se, então, uma “constelação” de waypoints e toda vez que for corricar passa-se por estes pontos anteriormente marcados, que são potenciais pesqueiros na superfície.

Enfim, estas dicas e informações se observadas pelo pescador vão tornar a pescaria de corrico no mar mais produtivas e eficientes.

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